
Este trabalho é um registro de uma vivência, de um processo. E como registro, apresenta de forma crua as relações e reações geradas no decorrer desse processo, é uma espécie de diário onde foram registradas em forma textual e imagética as principais impressões sobre o tema de que trata este Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC, o meu TCC.
Um trabalho que para se fazer possível precisou repensar sua própria natureza e sentido [nesse caso, múltiplos sentidos], suas escalas tanto de ação quanto de comprometimento com a condição de trabalho acadêmico de um curso de arquitetura e urbanismo de uma universidade pública. Nesse sentido, é um trabalho autobiográfico, pois só poderia ter sido realizado por mim estando impregnado das minhas concepções sobre arte, sobre cidade, sobre a relação entre os indivíduos e o espaço que habitam, concepções que, por certo, não estão livres de contaminações de todos os gêneros. Todos estamos sujeitos às mais variadas pressões internas e externas combinadas em nossos desvãos.
Penso que este trabalho não pode ser compreendido apenas através do presente material, mas este, funcionaria como um convite à visitação e participação da instalação proposta e construída nas dependências do Curso de Arquitetura da UFSC. Em realidade, poderia dizer também que o trabalho ainda não poderia ser totalmente compreendido através da instalação, mas que esta atuaria também como um convite para o caminhar pela cidade, onde as experiências e ensaios foram realizados. Trata-se de um trabalho prático, experimental e de registros e construções. Não é portanto uma simulação. É um trabalho em andamento, um processo narrativo aberto iniciado e ainda em desenvolvimento, pontuado por inúmeras reflexões e questionamentos. Os textos a seguir representam os avanços e retornos que marcaram esse procedimento de trabalho e portanto também não se constituem em um material finalizado ou totalmente coeso, mas sim uma série de linhas de pensamento, um novelo de reflexões.