Experiência #2: Cenas da cidade deslocada

Ação no centro de Florianópolis em janeiro de 2010

Fotos: Erica Mattos e Diego Fagundes

A cidade deslocada é a cidade análoga. Uma cidade outra, ou melhor, muitas cidades outras, tantas quanto forem os diferentes olhares atuantes sobre sua matéria. O olhar contemporâneo, segundo Brissac Peixoto, já não possui tempo e, conseqüentemente, perdemos a imagem que se transforma em paisagem. Para este autor, a falta de tempo tira das imagens sua particularidade e consistência.

A cidade deslocada é o fruto dessa relação, ao mesmo tempo em que apresenta-se como resistência a esse processo. A cidade deslocada é a cidade aberta, [a caixa aberta] e modificada pela simples, porém poderosa intervenção do nosso olhar. Tempo decorrido, espaço esfacelado, desmontado e reorganizado em cenas do imaginário. Imaginário afetivo e mercantil, a cidade deslocada é a brecha por onde vazam as experiências, onde vai se fixar o olhar aparentemente desatento e distraído do flanêur.
Este ensaio se dá pela fixação de dispositivos mediadores (monóculos) contendo imagens modificadas da cidade contrapondo-as às paisagens reais com o objetivo de provocar um estranhamento da visão/memória dos lugares, uma espécie de jogo dos 7 erros.

(DESVÃOS, 2010 pp. 42)