Exposição Realizada em Março de 2010

Prédio do Curso de Arquitetura e Urbanismo UFSC Florianópolis-SC

Fotos: Paula Hemm

O formato de exposição com as caixas apoia-se conceitualmente no discurso que atravessa todo o trabalho, as interfaces onde os processos de comunicação e ação criativa podem vir à tona. Forma e conteúdo tornam-se nesse momento inseparáveis. A exposição desvela-se como espaço de interações entre o objeto e o público, sendo que o trabalho deve ser “descoberto” na manipulação das caixas, sua deformação e transformação em uma outra coisa. Não poderia mais chamá-las de caixas sendo que esse nome define uma série de características referentes ao objeto “caixa”, das quais, a propriedade de conter algo.

As caixas não contêm simplesmente, mas são também o próprio conteúdo. A respeito da concepção contemporânea de exposição, Bourriaud diz em seu livro, Estética Relacional, que, “não se trata de representar mundos virtuosos, mas de produzir as condições para tanto”. Julgo que a produção dessas condições se faz não através de um
olhar meramente contemplativo, mas sim ao estender a mão e convidar o indivíduo a fazer parte daquela situação criada. Mas, sobretudo, se poderia dizer que a finalidade da exposição não é o convívio, mas o produto resultante dele, a forma complexa que alia uma estrutura formal de objetos colocados à disposição para uma “brincadeira” e uma imagem efêmera que surge do comportamento ativo e coletivo.

O valor de uso do convívio mescla-se a seu valor de exposição dentro de um projeto plástico, um projeto de mundo possível e discursos sobre a cidade e, sobretudo, sobre o espaço que, para cada indivíduo participante desenvolve-se de forma diferenciada e única tanto no momento da exposição quanto nas interferências e registros das experiências apresentados.

(DESVÃOS, 2010 pp. 8)